domingo, 26 de julho de 2009

Assumindo a Responsabilidade de Ser Guru




Srila Bhaktisiddhanta Saraswati Thakur
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Aceitamos a responsabilidade de dar as boas-vindas a esta carga grave. Enquanto o público aceitou um assento comum, somente a mim foi oferecido um assento imponente.

Está sendo dito a todos de fato: "Dêem uma olhada a um grande animal dos jardins do zoológico. Quanta arrogância! Tão tolo! Tão pecaminoso! Vocês já tinham visto tamanho bruto? Guirlandas de flores são postas em volta de seu pescoço! Quantas louvações! Quantos adjetivos hiperbólicos, bombásticos e prolongados! E com quanta complacência ele também está ouvindo o louvor de suas próprias realizações, e quão intensamente e com seus próprios ouvidos! É evidente que ele também está deleitado em sua mente! Não está ele agindo em plena violação aos ensinamentos de Mahaprabhu? Será que tamanho bruto, tão egoísta e insolente jamais pode vir a a ser resgatado de tanta brutalidade?"

Acontece que eu sou um dos maiores tolos. Ninguém me oferece bons conselhos devido à minha arrogância. Já que ninguém condescende a me instruir, apresentei meu caso diante do Próprio Mahaprabhu. Veio-me o pensamento de que deveria pôr-me sob os cuidados dEle e ver o que Ele me aconselharia a fazer. Então, Sri Chaitanya disse: "Quem quer que você encontre, instrua-o a respeito de Krishna. Por Minha ordem, como um Guru, liberte esta terra; Ao fazer isso, você não será obstruído pela corrente do mundo; você terá a Minha companhia novamente neste lugar."

Nesses versos encontra-se a explicação apropriada da aparente inconsistência exposta acima. Aquele cujo único ensinamento é a humildade maior que a de uma folha de grama disse: "Por Minha ordem, como um Guru, salve esta terra!" Nesse momento, o Próprio Mahaprabhu deu essa ordem. Sua ordem era: "Realize o dever do Guru, tal como Eu Mesmo faço. Também transmita essa ordem a quem quer que você encontre."

Chaitanyadeva diz: "Repita exatamente essas mesmas palavras: 'Por Minha ordem, seja um Guru e salve esta terra. Liberte as pessoas de sua tolice'."

Agora, quem ouvir estas palavras, naturalmente protestará com as mãos juntas em prece, dizendo: "Mas eu sou realmente um grande pecador; como posso ser um Guru? Você é o Próprio Supremo, o Mestre do mundo. Você pode ser Guru."

A isso Mahaprabhu responde: "Ao fazer isso, você não será obstruído pela corrente do mundo; você terá a Minha companhia novamente neste lugar. Não pratique a profissão de um Guru com o objetivo de prejudicar os outros através da malícia. Não adote o negócio de ser um Guru para submergir no pântano deste mundo. Mas, se puder, na verdade, seja Meu servo sincero e você será dotado com Meu poder —assim, você não precisa temer."

Eu não tenho medo. Meu Gurudeva ouviu isso de seu Gurudeva. E é por essa razão que meu Gurudeva aceitou até mesmo tamanho pecador como eu e me disse: "Por meu comando, seja Guru e salve esta terra". Somente aqueles que nunca ouviram essas palavras de Gaurasundar dizem: "Que bizarro ouvir nossa própria glorificação!"

Enquanto o Guru está instruindo seu discípulo a respeito do décimo primeiro canto do Srimad Bhagavatam, que tamanho pecado, em sua opinião, ele não estaria perpetrando! O que o Acharya deve fazer ao explicar o verso onde Krishna diz: "Acharya mam vijaniyat (Eu sou o Acharya, o Guru)? Nunca desrespeite o Acharya; jamais entretenha a ideia de que o Acharya é seu igual em qualquer sentido."

Essas são as palavras do Próprio Sri Krishna que beneficiam as almas jiva. Será que o Guru deve se remover, desertar de seu assento —do assento do Acharya— de onde deve explicar essas palavras?

Seu Gurudeva conferiu a ele essa função. Se ele não agir à altura de suas exigências, ele estará amaldiçoado à perdição devido à sua ofensa contra o Santo Nome na forma do desrespeito ao Guru. Ele tem de fazê-lo, apesar de que tal procedimento aparentemente o sujeita aacusações de egoísmo.

Quando o Guru transmite o mantra ao discípulo, será que ele não deveria ensiná-lo a adorar o Guru? Deveria dizer ao contrário que, "Bata com o sapato ou com o chicote no Guru?" O Guru nunca deve ser aviltado. O Guru é a morada de todos os deuses. Será que Gurudeva deve se abster de transmitir essas palavras a seu discípulo ao ler-lhe o Bhagavatam? "Somente àquele que possuiu devoção espiritual sincera pelo Gurudeva como a que é devida ao Próprio Krishna é que os mistérios sagrados serão manifestos." Será que o Gurudeva não deve dizer essas coisas a seus discípulos? "Athau gurupuja: a adoração do Guru tem precedente sobre todas as demais adorações."

O Guru deve ser servido tal como Krishna é servido. O Guru deve ser adorado de um modo particular. Será que o Guru deve desertar de seu assento sem dizer todas essas coisas ao discípulo? No ângulo, encontramos sempre o defeito na forma da ausência de plenitude, que se encontra na igualdade do nível de 180 graus ou de 360 graus. Mas na superfície plana, nos 360 graus, não existe tal defeito.

As pessoas comuns e tolas falham completamente ao tentar compreender que no estágio emancipado não existe possibilidade de defeito. Conforme o ditado: "Depois de começar a dançar, não há maisutilidade de cobrir-se com o véu".

Eu estou executando o dever do Guru, mas se eu pregar que ninguém deve gritar "Jaya" para mim, ou seja, se eu disser de modo indireto: "Cantem Jaya para mim", isso não seria nada menos do que duplicidade. Nosso Gurudeva não nos ensinou esse tipo de insinceridade. Mahaprabhu não ensinou essa insinceridade. Tenho de servir a Deus de modo franco, honesto.A palavra de Deus descendeu até Gurudeva; tenho que obedecê-la com toda sinceridade. Não desrespeitarei o Guru nas instâncias de qualquer sectarismo tolo ou malicioso, especialmente, quando meu Sri Gurudeva me orientou dizendo: "Por minha ordem, torne-se Guru e salve esta terra." Esta ordem foi pregada por meu Gurudeva. Meu Gurudeva, por seu turno, transmitiu-me essa ordem. Eu não serei culpado de qualquer insinceridade ao defender essa ordem. Nesse particular, não aceitarei o ideal do sectarismo ignorante, insincero e pseudo-ascético. Não aprenderei a insinceridade.

As pessoas de mentalidade mundana, os maliciosos, os pseudo-renuncianes, os egoístas não podem compreender como os devotos de Deus, rejeitando tudo deste mundo pelo comando de Deus, jamais, nem sequer por um segundo, se desviam do serviço a Deus nas vinte e quatro horas de seu dia.

É natural que pessoas sectárias e hipócritas, seitas pseudo Vaishnavas, seitas que nutrem internamente o anseio por fama mundana pensem: "Que vergonha que alguém fique ouvindo as glorificações de seus discípulos, ocupando o assento do Guru." Mas todo Vaishnava considera cada Vaishnavas como objeto de sua veneração.

Quando Haridas Thakur exibiu sua atitude humilde, Mahaprabhu disse: "Você é o maior do mundo, a jóia principal deste mundo. Concorde, e vamos comer juntos." Ele carregou em Seus braços o corpo de Thakur Haridas —que existe eternamente, que é autoconsciente e pleno de bem-aventurança espiritual.

Na comunidade dos seguidores de Sri Rupa, encontram-se plenamente presente as qualidades de não desejar qualquer respeito para si e de estar pronto a oferecer honras aos outros. Aqueles que detectam qualquer estranheza são como a coruja, cegos diante do brilho do sol. Eles cometem ofensas com tal conduta.

Se eu desobedeço à lei que descendeu até mim através da corrente de sucessão preceptorial, a ofensa devida à omissão de executar o comando do Guru me desligará dos pés de lótus de Sri Gurudeva. Se eu tiver que ser arrogante, rude, sofrer perdição eterna a fim de executar o comando do Guru Vaisnava, estou preparado a dar as boas-vindas a tal condenação eterna e até mesmo assinar um pacto nesse sentido. Não ouvirei as palavras de pessoas maliciosas em vez da ordem de Gurudeva. Dissiparei com coragem indomá-vel e convicção as correntes de pensamentos do resto do mundo, confiando na força derivada dos pés de lótus de Sri Gurudeva.

Eu confesso essa arrogância. Ao borrifar uma partícula do pólen dos pés de lótus de meu Preceptor, centenas de milhares de pessoas como vocês serão salvas. Não existe um tal tipo de conhecimento neste mundo, nenhum raciocínio lógico nos catorze mundos e em qualquer homem ou deus que possa pesar mais do que uma partícula solitária da poeira dos pés de lótus de meu Gurudeva. Gurudeva, em quem eu tenho confiança implícita, jamais pode me magoar. Não estou preparado de modo algum para dar ouvidos às palavras de qualquer pessoa que deseje ferir-me ou para aceitar tal pessoa maliciosa como meu preceptor.

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